15/12/09

Yggdrasil - A Árvore de Vida

Nas culturas pagãs, tudo que se vê na árvore é tido como sagrado, desde seu caule e raízes até suas folhas e frutos.Também há quem diga que a seiva da árvore sagrada é o elixir dos deuses. E, o fruto da árvore sagrada pode curar qualquer doença.
Os antigos pagãos a viam como o ligamento fértil do deus com a Deusa, e o ato de quebrar um dos seus galhos significava o mesmo que ameaçar o deus de castrá-lo. Por esse motivo, talvez, vemos o tamanho respeito que eles têm (tinham) pelas as árvores, bosques, animais e o meio ambiente em si, para eles a natureza é o templo dos deuses. E banalizá-la é o mesmo que banalizar os deuses, o que é um grande “pecado“.
Na tradição pagã, a Yggdrasil é a “Árvore do Mundo” ou “Árvore da Vida“. E esta enorme árvore sagrada cresceu para fora do Well of Wyrd (Poço do Destino), e serve como condutora para os noves mundos do universo. A Yggdrasil está ligada a esses nove mundos, pela suas raízes ou ramos.
Essa árvore não pode ser comparada com nenhuma do mundo mortal (Midgard), mas pode de fato, ser uma combinação de todas elas. Dizem que ela está localizada no centro do universo, e suas raízes mais profundas estão localizadas em Niflheim (O mundo subterrâneo), e no tronco está localizada Midgard (O mundo mortal), nos ramos acredita-se que leva para Asgard (A terra dos deuses) e na parte mais alta de Yggdrasil acredita-se, também, que levara a Valhala (O paraíso).
Alguns pagãos acreditam que seus galhos se espalham sobre os céus e estão cheios de frutas sagradas¹ que podem curar qualquer doença e suas folhas sagradas podem trazer pessoas de volta a vida. Há três deusas (conhecidas como: Deusas do Destino) que habitam suas raízes, junto com uma serpente gigantesca.

[Nota¹: Essas frutas na verdade eram estrelas, e quando uma dessas "frutas caíam na terra" era formada uma jornada em busca delas.]

Há quem diga também, que ao destruir uma árvore os poderes da Yggdrasil se tornam mais fracos, podendo deixar o universo em um tremendo caos, por ela ser o eixo.

Independente do seu modo de ver, sabemos que a preservação ambiental é o único meio para que NÓS possamos preservar a nossa própria espécie, já em risco de extinção.

Fonte:
http://kithain.wordpress.com/

...

Yggdrasil


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Yggdrasil em gravura de Friedrich Wilhelm Heine (1886).

Yggdrasil (nórdico antigo: Yggdrasill) é uma árvore colossal (algumas fontes dizem que é um freixo, outras que é um teixo), na mitologia nórdica, que era o eixo do mundo.
Localizada no centro do universo ligava os nove mundos da cosmologia nórdica, cujas raízes mais profundas estão situadas em Niflheim, fincavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.
Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela sempre é guardada por uma centúria de valquírias, denominadas protetoras, e somente os deuses podem visitá-la. Nas lendas nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta a vida e apenas um de seus frutos, curaria qualquer doença.

Yggdrasil - o eixo do mundo

Yggdrasil é a árvore que de acordo com os nórdicos é o eixo do mundo, a árvore era gigantesca em seu tronco se dividiam os nove mundos e as raízes era onde se encontrava Niflhein (o reino do gelo e das névoas) muitos pensam que Niflhein é o inferno, mas na verdade Helgardh que se localiza em Niflhein que é o inferno.
A árvore de Yggdrasil tem propriedades místicas, suas folhas são capazes de trazer os mortos de volta a vida e seus frutos são capazes de curar qualquer doença.
No topo de Yggdrasil se encontra a moradia dos deuses Asgard, onde se encontra a ponte Bifrost ou ponte arco-íris que se liga com o meio da árvore Midgard (a terra dos homens), Odin se enforcou em um dos galhos de Yggdrasil, mas voltou a vida com mágica.
Em Niflhein existe um dragão chamado Nidhogg que devora sem parar as raízes da árvore com o objetivo de a destruir, mas existem vários animais escondidos em Yggdrasil que distraem Nidhogg um deles é o esquilo Ratatosk.

De Symbolom

Yggdrasil, ou Yggdrasill, era uma árvore (um freixo) que, na mitologia escandinava,
era o eixo do mundo.
Nas suas raízes, que se espalhavam pelos nove mundos, cujas mais profundas estao situadas em Niflheim, ficavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.
Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela sempre é guardada por uma centúria de Valkírias, denominadas protetoras, e somente os deuses podem visitá-la.
Nas Lendas Nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta a vida e apenas um de seus frutos, curaria qualquer doença.

Estudos sobre Yggdrasil e as Fontes Primordiais
(Por Aistan Falkar)

Háils Unsaraim Gudam Ases jah Vanes!!

Háils Haithunu Thiuda !!

Háils Brothru´s Visigoth´s !!

Analisando a estrutura proposta nos trabalhos recebidos, que abordavam as estruturas de Yggdrasil a partir das 3 fontes ou Hvels Primordiais, podemos observar que há alguns pontos interessantes.
Primeiramente temos a situação de Hvelgaldhr, origem ressonante, e em segundo lugar o aparecimento dos Jotuns, através de Aourgermir, e em seguida dos Primeiros Aesir, através de Buri, Bor e Bestla (segundo a ordem que aparece em alguns estilos e tradições, qua abordam o tradicionalismo nórdico).
Do choque de forças, acabam surgindo originalmente mais duas Super Estruturas, ou Hvels.
Um deles em Jotunheim (a Fonte de Mimir), e o outro em Aesgard (a Fonte de Wyrd).
É proposto então 3 grupos de Mundos, abrangendo Yggdrasil, em que a partir da Fonte de Wyrd, em Aesgard, uma das Raízes se desenvolve e liga-se até Vanaheim e vai até Midgard.
Em seguida temos a Raíz que saí de Hvelmimir, em Jotunheim, e vai até Hossalfheim indo até Swartalfheim.
Por último abordamos o que naverdade seria a primeira Raíz. Que sai de Hvelgaldr, passando pelo mundo dos Mortos de Hella, o Hell, indo até o Reino de Fogo Muspellheim.
Analisando o conjunto todo por matemática simples, não podemos deixar de notar que este conjunto “...consegue se expressar...” por meio de uma equação, que é tão simples que “...talves...” tenha algo a contribuir, em nosso contínuos estudos sobre os Mundos de Yggdrasil e as Runas.
Parece sempre haver algum choque nos estudos sobre a disposição dos mundos dentro de uma apresentação dinâmica (por exemplo uma apresentação em 8 círculos com 1 círculo ao centro – óbviamente Midgard ; ou em uma apresentação em 9 quadrados exatos, sendo o do centro Midgard).
No entanto se posicionarmos qualquer um dos Quadrados ou Círculos da parte superior (Preferêncialmente o Quadrado Superior Esquerdo, ou o Círculo Superior Esquerdo), como sendo o primeiro Mundo, e atribuindo a esse o valor de 1 (apenas para efeito de demonstração, e sem outras conotações).
E indo um pouco para fora da atribuição de Yggdrasil, no sentido da expressão diagramática da Árvore que é mais conhecida, mas levando-se em conta a Nephelheim e Muspelheim como os 2 primeiros Mundos, e mais Antigas Forças a coexistirem em Gnnugagap, e separados pelo mesmo.
E fazendo-se uma experiência, colocando então a Nephelheim como o Mundo de número 1.
Podemos então fazer algumas deliberações com todo o restante de Yggdrasil.
Pois seguindo esta padronização, teremos então a idéia (já mais voltada para a descrição Tradicional de Yggdrasil), de AESGARD posicionada Verticalmente acima de todos os outros Mundos. E também teremos fatores como a Relevante Presença dos Ases Primordiais, em especial Vodan, que em sua atução modificaram a pré-existência, para geração do que o Multiverso em que vivemos é.
Assim sendo o número do quadrado atribuido a Aesgard será 2, e será o mais vertical de todos os quadrados ou círculos, apresentados dentro desta pequena possibilidade de estudos. Levando inclusive em conta que um dos 3 Hvels alí se encontra, o Hvel de Wyrd.
Lembrando sempre que Jotunheim formou-se tão logo abrandou-se a inundação seguida da morte de Aourgermir (seguindo a linha de pensamento de algumas formas de apresentação nórdicas). E que um dos 3 Hvels alí se encontra, o Hvel de Mimir.
Veremos que algo interessante pode ser contruído se usarmos de matemática e redução simples, combinadas As Escalas de Oposições Lineares que São Apresentadas no Modelo Tradicional de Yggdrasil.
Assim sendo se nos lembrarmos que Todos os Números de 1 a 8, quando são somados com seus opostos diretos, resultam exatamente em 9. E que Midgard é o Mundo material em que todas as forças operam, e é o ponto de Intersecção de Poderes de Todos os Mundos.
A título de experimentação, poderíamos atribuir a Midgard o número 9 e adicioná-lo então ao Quadrado Central,ou Círculo Central, do diagrama de estudos que estamos teoricamente analisando.
Se nos lembrarmos que o Mundo oposto a Nephelheim é justamente o Mundo do Fogo Sombrio de Muspelheim, e se levarmos em conta o vetor de que colocamos a Nephelheim neste pequeno estudo, exatamente no quadrado Primeiro, ou seja o de número 1. Teremos que opô-lo diametralmente no quadrado de número 8 (segundo a apresentação de oposições matemáticas do estudo acima, como foi colocado, sobre as oposições de 1 a 8 resultarem em 9).
Este quadrado será o Quadrado Inferior Direito (ou Círculo Inferior Direito).
Lembrando da oposição direta entre Hel e Aesgard no diagrama tradicional de Yggdrasil, teremos então Hel no Quadrado ou Círculo inferior mais Vertical. Seu número por conta do Vetor Numérico de Aesgard (para este pequeno esforço de estudo), será diretamente o número 7 (pois como está exposto acima, matematicamente falando 7 somado a 2 resulta em 9).
Em seguida deveremos dispor no Quadrado ou Círculo Inferior Esquerdo, o Mundo de Vanaheim, opondo-o exatamente como está disposto no Diagrama Tradicional de Yggdrasil, ao mundo de Jotunheim. E então atribuirmos a este mundo o Vetor Numérico 6 (para estabelecer vínculo com este esforço de estudos como está acima).
Veremos que sobrarão então dois quadrados Horizontais.
A estes logo abaixo dos Quadrados de Nephelheim e Jotunheim, estarão dispostos Hossalfheim e Swartalfheim.
Então a disposição destes deverá seguir uma dinâmica que dê sincronia com Yggdrasil, e com o movimento de giro proposto.
Então pensando da disposição de cores de Nephelheim (teremos então o Gelo, Névoa, Neve, ou seja, o Branco Reina cromaticamente ali).
E sabendo-se de que Vanaheim foi disposto diretamente abaixo de Nephelheim (pelo encaixe matemático proposto acima), e que há harmonia direta entre os Vanes e os Elfos.
Ficará mais próximo então da diagramação de Yggdrasil, dispor Hossalfheim no Quadrado de Vetor Numérico 5, exatamente entre Nephellheim e Vanaheim.
O que deixará então o último quadrado, posicionado entre Jotunheim e Musphelheim, com o Vetor Numérico 4, exatamente para Swartalfheim. E nos lembraremos imediatamente que os Swartalfs habitam regiões que são fronteiriças com as forças Ctônicas e Ígneas, e que eles mesmos são Artífices Maravilhosos, Exímios Ferreiros, e donos da capacidade de Forjar coisas inacreditáveis (como é o caso do Draupnir, do Mjoullnir, ou dos Cabelos de Sif, e bem como KVASIR nos virá a mente juntamente com o Mead dos Sábios), o que nos dá a impressão de proximidade tanto de influxos do Hvel de Mimir tanto quando da capacitade Ígnea de Musphelheim.
E por análise direta, todos estes Mundos ligados a estas oposições e Vetores numéricos, resultam sempre ao serem dispostos por meio da matemática, no Vetor Numérico de Valor 9, que foi para este pequeno estudo, atribuído a Midgard.
Isto nos lembrará, mais uma vez, que em Midgard todos os poderes de Yggdrasil atuam e participam, e que Midgard é o Reino Médio e a Intersecção de todos os Outros Mundos.
Isso poderá desencadear uma pergunta muito importante:
Porquê Nephelheim está diposta em oposição a diagramas que são apresentados, nas mais variadas formas de descrição de Yggdrasil??
A resposta a isso parte de uma observação que talves sejá útil para este pequeno estudo.
Se criarmos agora um Diagrama com uma representação, de um Humano de frente para o Norte ( pois a Norte está Poláris e a Ursa Maior).
Tendo nossas costas então para o Sul, e nossa mão direita para o Leste.
Observemos que se estivessemos olhando para um esquema Tridimensional, levando-se em conta comprimento, largura e altura de um desenho. Resultando então em uma letra “...X...”, para podermos colocar o Norte e os outros Pontos Cardeais, respeitando então a Tridimensionalidade do Esquema, ao invés de uma “...+...”. O que nos dá espaço para podermos representar no Plano vertical, os Mundos de Aesgard, Hossalfheim, Midigard como o Centro do “...X...”, Swartalfheim e no Ponto mais Inferior da Haste Vertical, Hell. Em outras palavras, exatamente uma Runa Gebo (como nos foi apresentado recentemente no Esquema do Runebindja).
Para podermos ficar de frente para o Norte, e termos neste Nephelheim, a ponta Superior Direita do “...X...”, deverá estar vinculada diretamente a Nephelheim. O que nos dá seguindo a Ordem de Colocação, a ponta Superior Esquerda para Jotunheim, a Inferior Direita para Vanaheim e a Inferior Direita para Musphelheim (exatamente em oposição a Nephelheim).
Outro detalhe é que acompanhando o desenho, veremos que ele nos leva a um traçado interessante.
Pois seguindo os Quadrados de 1 a 4, e depois passando em linha reta para 9 e 5, o que nos dá então o movimento direto de 6 até 8.
Teremos então uma representação simplificada de uma Swástica Horária.
O que nos dá uma ampla valorização do Sentido de Giro Construtivo, usado para um vínculo com as Rodadas de Symbels, Voltas em Torno da Fogo Central, e simbólicamente o próprio sentido de giro dos cósmos.

Háils Vodan !!! Witubini jah Mahts !!!


Fonte da Imagem:
http://www.flickr.com/photos/emilyfundis/

08/12/09

A Raíz Criativa


Pablo Neruda:

“minha conversa é uma árvore com galhos demais”

19/10/09

- À Sombra das Araucárias -


Não aprofundes o teu tédio.
Não te entregues à mágoa vã.
O próprio tempo é o bom remédio:
Bebe a delícia da manhã.

A névoa errante se enovela
Na folhagem das araucárias.
Há um suave encanto nela
Que enleia as almas solitárias...

As cousas têm aspectos mansos.
Um após outro, a bambolear,
Passam, caminhos d'água, os gansos.
Vão atentos, como a cismar...

No verde, à beira das estradas,
Maliciosas em tentação,
Riem amoras orvalhadas.
Colhe-as: basta estender a mão.

Ah! Fosse tudo assim na vida!
Sus, não cedas à vã fraqueza...
Que adianta a queixa repetida?
Goza o painel da natureza.

Cria, e terás com que exaltar-te
No mais nobre e maior prazer.
A afeiçoar teu sonho de arte
Sentir-te-ás convalescer.

A arte é uma fada que transmuta
E transfigura o mau destino.
Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta.
Cada sentido é um dom divino.

- Manuel Bandeira -

17/09/09

Árvore da Sabedoria

As Árvores e os Livros

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

(Jorge Sousa Braga, Herbário,
Lisboa, Assírio & Alvim, 1999)



Fonte da ilustração:

http://estrellasycaracoles.blogspot.com

16/09/09

Magia Arbórea

Além de nos dar frutas, madeira, sombra e embelezar
o mundo, a árvore é um símbolo universal do relacionamento
entre o céu e a terra.

(Por Carlos Cardoso Aveline)


Árvores. A mera presença delas desperta uma paz e um sossego na alma humana. Esse é um segredo que explica por que, desde os tempos mais remotos, em todos os cantos do mundo, os sábios e místicos têm usado florestas como locais de refúgio e inspiração.

Há uma relação natural e instintiva entre a árvore e o homem. Até os seus modos de respirar se completam. Aquele que medita pode aprender com as árvores uma sábia e serena imobilidade. Na antiga Índia, conta a lenda que Gautama Buda alcançou a iluminação ao pé de uma grande árvore chamada Bodhi, símbolo da sabedoria universal.

É difícil imaginar seres tão benéficos quanto as árvores. Elas embelezam a paisagem, dão sombra, madeira, frutas e são o refúgio e abrigo de pássaros e outras espécies de animais. Comunicam o subsolo com a atmosfera e purificam o ar. Atraem nuvens, regulam as chuvas, estabilizam o clima e garantem a umidade do solo. Combatem a erosão e evitam o excesso de ventos.

Mas, além das suas funções vitais e práticas, a árvore tem uma forte natureza mágica. Ela é universalmente considerada um símbolo do relacionamento entre céu e terra. Com sua estrutura vertical – o tronco – a árvore estabelece um eixo simbólico de ligação entre o mundo físico e o mundo divino. Por outro lado, seus galhos, ramos, folhas e frutos reúnem toda uma comunidade de aves, insetos, répteis e pequenos mamíferos, o que é um símbolo da infinita diversidade da vida.

Naturalmente, o paraíso da tradição judaico-cristã é um bosque. Ali, segundo Gênesis, II, “Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas e boas de comer”. Porém, há duas árvores que se destacam nesse local sagrado. Uma delas é a árvore da sabedoria, que dá o conhecimento do bem e do mal. A outra é a árvore da vida, que simboliza a imortalidade.

No Bhagavad Gita hindu (cap. XV), o universo é uma árvore invertida, que tem suas raízes no céu e suas folhas e frutos na Terra. Seu nome é Asvartha, e sua imagem simboliza a manifestação concreta da vida cósmica. A mesma árvore com raízes no céu e frutos na terra aparece sob o nome de Yggdrasil no folclore dos países do norte da Europa.

Do ponto de vista microcósmico, essa árvore mitológica representa cada alma humana, cujas origens e raízes estão na eternidade, mas cujas folhas e frutos são as atividades práticas do mundo concreto. Macrocosmicamente, porém, essa árvore simboliza o universo material como um todo, que surge pe-riodicamente do mistério e do mundo oculto para florescer em uma vida física e espiritual infinitamente variada.

Cada ser humano, como cada árvore, é uma miniatura e um resumo do universo. Esse é um dos motivos pelos quais temos tanto a ganhar convivendo com as árvores. A experiência de comunhão com elas faz parte de uma comunhão maior com toda a natureza e liberta a alma humana de seu sofrimento. John Muir, o grande pioneiro da preservação ambiental, deu seu testemunho a respeito.

Certo dia, no final do século 19, John estava decepcionado com alguns seres humanos. Para recuperar a consciência da sua unidade interior com todas as formas de vida, ele foi nadar sozinho em um grande lago, numa região desabitada. Mais tarde, contou: “Foi o melhor batismo de água que jamais experimentei.” Ao sair do lago, ele olhou para o norte e viu as montanhas. Observou como as curvas suaves do vale desciam até mergulhar nas águas do lago. Então decidiu: “Agora terei outro batismo. Vou mergulhar minha alma no alto céu. Avançarei entre os pinheiros, entre as ondas de vento do topo das montanhas.”(1) Para Muir, não havia templo melhor que a natureza a céu aberto.

A árvore é cantada em prosa e verso nas mais diferentes culturas, e está presente nas imagens primordiais das várias religiões. O taoísmo ensina que uma árvore sagrada, um pessegueiro, cresce na montanha K’un-lun e floresce uma vez a cada mil anos. São necessários três mil anos para que o fruto desse pessegueiro amadureça. O seu pêssego milenar é grande como um melão, mas vermelho e brilhante. Uma mordida nele é suficiente para que a pessoa prolongue sua vida até mil anos. Só os imortais, que alcançaram a sabedoria eterna, têm as credenciais necessárias para alimentar-se com o fruto do pessegueiro em flor.(2)

Era nas florestas que os sábios taoístas, budistas e hindus se refugiavam, mantendo-se afastados ao mesmo tempo da sociedade mundana e das burocracias religiosas. Também os magos druídas desenvolveram sua sabedoria nas florestas.

O humilde e silencioso crescimento de cada árvore é um símbolo cósmico da transformação do que é pequeno no que é grande, do que é potencial no que é real. No Novo Testamento, Jesus afirma que o Reino dos Céus é “semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou em suas mãos e lançou em sua horta; ele cresce, torna-se árvore, e as aves do céu se abrigam em seus ramos” (Lucas, 13:18).

Simbolicamente, os troncos fazem a ligação entre o céu e a terra.
Mas a popularidade universal das árvores não impediu a sua constante destruição em função de interesses materiais de curto prazo. No mundo antigo, as novas civilizações surgiam saudáveis em regiões bem florestadas. Algum tempo depois, as populações já se multiplicavam e o consumo de madeira crescia excessivamente. As árvores eram usadas como lenha – algo indispensável para fundir metais – e também como material para construir casas e barcos.

Cada sociedade que ganhava poder e influência usava a guerra como meio de expandir-se. Então as reservas florestais eram usadas para fundir metais, para produzir armas e construir navios de combate. O desmatamento descontrolado provocava a erosão do solo, que destruía a produtividade agrícola, provocando a decadência da sociedade e, finalmente, a sua derrota nas guerras. Por isso, Helena Blavatsky escreveu que a decadência de uma civilização se segue à destruição das suas florestas tão inevitavelmente quanto a noite segue o dia.

O mundo romano, como a sociedade grega, devia sua força às árvores. A floresta era considerada mãe de Roma. Todo o crescimento do império romano se baseou no uso das florestas e de outros recursos naturais, no seu próprio território e nos de povos distantes. Mas valeu a regra geral e o caso de Roma não foi uma exceção: no seu devido tempo, a destruição das florestas e da base ecológica da vida ajudou a provocar a decadência e o fim do império que dominava o mundo.(3)

Ao longo de milênios, enquanto alguns cortavam as árvores, outros as viam como seres sagrados. Com seu charme encantador, elas sempre inspiraram sentimentos religiosos. Na Inglaterra, só no século 11 a Igreja cristã, finalmente, decretou que era “pecado” construir um santuário em torno de uma árvore. Mas, em 1429, o clérigo de Bungay ainda sustentava que as imagens religiosas não tinham muito valor e que as árvores tinham mais energia e virtude, “sendo mais adequadas ao culto do que pedras ou madeira morta esculpida com a forma de um homem”. Alguns dos primeiros protestantes consideravam que se podia rezar tanto nos bosques como nas igrejas.

Quando a madeira começou a escassear na Inglaterra do século 17, surgiram o reflorestamento e a preservação florestal ganhou força. A admiração pelas árvores também se apoiava em certos mitos cristãos, na época considerados literalmente verdadeiros. Em 1670, por exemplo, John Smith, especialista em silvicultura, sustentava que alguns carvalhos ingleses ainda vivos haviam surgido no primeiro verão depois do dilúvio, e que uns poucos entre eles eram, inclusive, “do momento da criação do mundo”.

Exageros à parte, os fiéis das paróquias inglesas faziam uma peregrinação anual. Durante a caminhada, paravam de quando em quando diante de um carvalho de maior porte para ler as escrituras e rezar ao pé da árvore, que consideravam sagrada. As árvores eram temas de livros. Plantá-las era um esporte em toda a Europa. Essa tendência cultural compensou, em parte, a devastação causada pela revolução industrial, cuja poluição ambiental era extrema.(4)

O que dizer do Brasil? As árvores ocupam lugar central em nossa história, nossa economia e cultura. As lendas tradicionais falam de Curupira, o deus que protege as florestas brasileiras. Ele é um pequeno índio com os pés voltados para trás, e seu corpo não tem os orifícios necessários para as excreções indispensáveis à vida. Por isso, o povo do Pará o chama de muciço. No Amazonas, Curupira é visto como um pequeno índio de quatro palmos de altura, careca, mas com o corpo coberto de pêlos. No rio Tapajós, ele tem apenas um olho.

O pequeno deus Curupira é dotado de uma força extraordinária. Para experimentar a resistência das árvores antes de uma tempestade, ele bate nelas com o calcanhar. Curupira tanto mostra a caça como a esconde. Sua função é proteger a mata e seus habitantes. Todo aquele que derruba ou estraga inutilmente as árvores é punido por ele com o castigo de caminhar indefinidamente pelo bosque sem poder lembrar do caminho de casa. Por isso era temido pelos indígenas.

“Curupira foi o primeiro duende selvagem que a mão branca do europeu fixou em papel e comunicou a países distantes”, escreveu Luis da Câmara Cascudo. José de Anchieta já o citava em uma carta de 1560. Mas seu nome tem variações: no Maranhão, chama-se Caipora. Ele tem uma presença marcante nas lendas do sul brasileiro, e ganha o nome de Curupi no Paraguai e na Argentina.(5)

O simbolismo universal das árvores é rico e complexo – e estimula a busca da sabedoria. Cada espécie de árvore irradia uma influência e uma vibração próprias, que os seres humanos buscam descrever com palavras. O espírito do cipreste, por exemplo, representa a imortalidade. O pinheiro, a árvore escolhida para as festas de Natal, é outro símbolo da vida espiritual. A acácia representa a verdade, assim como o sicômoro simboliza a bondade.

O carvalho é a árvore de Zeus, de Júpiter, e simboliza a força divina e o eixo do mundo. A aveleira, que dá a avelã, representa a fertilidade e ainda fornece a madeira de que são feitas as varinhas mágicas. A figueira e a oliveira simbolizam a abundância. A figueira também pode representar o eixo do mundo, como o carvalho. A videira é uma árvore sagrada tanto na tradição egípcia como na antiga Is-rael, e alguns a associam à Árvore da Vida. A mamona simboliza a imprevisibilidade do futuro e nos ensina o desapego. Ela nos faz lembrar que, apesar das aparências, a vida raramente é linear e contínua.

Os significados e as influências espirituais das árvores são inesgotáveis. Em diferentes momentos da nossa vida, cada árvore – em um parque, uma rua ou um quintal – nos traz mensagens diferentes. Devemos estar abertos ao diálogo silencioso com esses seres benéficos. Há inúmeras vantagens nisso.

Segundo o filósofo Plotino, todas as plantas buscam a felicidade. De fato, a filosofia esotérica ensina que, assim como os animais mais evoluídos já fazem força para aproximar-se do desenvolvimento mental, as plantas avançam no sentido do desenvolvimento das emoções.

Ora, as árvores estão entre os habitantes mais sábios e evoluídos de todo o reino vegetal. Há inúmeros relatos de que elas são capazes, à sua maneira, não só de receber os nossos sentimentos de amizade, mas também de responder a eles. Nossa pobre inteligência humana só tem a ganhar quando percebemos a inteligência das árvores. O conteúdo das lições que elas nos trazem, porém, depende da nossa capacidade de deixar de lado as coisas pequenas, que pensamos que conhecemos, e de abrir-nos para a magia da vida.

Notas:

(1) The Life of John Muir, Linnie Marsh Wolfe, The University of Wisconsin Press, Wisconsin, EUA. Ver p. 193. (2) Seven Taoist Masters, tradução do chinês para o inglês de Eva Wong, Ed. Shambhala, Boston e Londres, 1990. Ver p. 19. (3) Para saber mais sobre a importância decisiva das florestas na história das civilizações humanas, veja a obra História das Florestas, de John Perlin, Ed. Imago, RJ, 1992. (4) Sobre a importância das árvores na cultura inglesa, veja a obra O Homem e o Mundo Natural, de Keith Thomas, Cia. das Letras, SP, 1988, especialmente as pp. 253-266. (5) Geografia dos Mitos Brasileiros, Luis da Câmara Cascudo, Ed. Itatiaia (USP), SP, 1983. Ver pp. 84-86.

Fonte:

http://istoe.terra.com.br/planetadinamica/

13/09/09

Domínio Público


"No domingo bem cedinho

Fui na fonte me lavá
De lá vim admirado
De vê a dança do Tangará”.

Chiroxiphia caudata

Autor da Imagem: Dario Sanches

http://www.flickr.com/photos/dariosanches/

Escute:






Veja:

Um show proporcionado por uma arena de tangarás-dançarinos:

http://guiserpa.multiply.com/video/item/1/Lekking_de_Chiroxiphia_caudata

Os Tangarás